“Os Arquitectos são Poetas também”|Cottinelli Telmo 1897-1948

“Os Arquitectos são Poetas também”|Cottinelli Telmo 1897-1948

DE 07 DE DEZEMBRO 2014 A 03 DE MAIO 2015

Personalidade de uma  extraordinária riqueza, Cottinelli Telmo deixou uma obra que, longe de se limitar à arquitectura, se estende ao grafismo e à ilustração, à edição e ao cinema, incluindo também uma considerável componente de intervenção crítica. O seu protagonismo na cultura portuguesa da primeira metade do século tem sido quase unanimemente reconhecido; (…). Comissário Cientifico – João Paulo do Rosário Martins

imagem Cottinelli Telmo e Octávio Bobone. Filmagem do documentário “Máquinas e Maquinistas”, na Estação de Campolide, c.1938 ©Sousa Nunes

Resumo Biográfico

José Ângelo Cottinelli Telmo
(Lisboa, 1897 – Cascais, 1948)

Artista de múltiplos talentos, Cottinelli começou por ser reconhecido como ilustrador e autor de banda desenhada. O sucesso das “Aventuras inacreditáveis, e com razão, do ‘Pirilau’ que vendia balões” (1920) motivou a criação do “ABCzinho”, a primeira revista infantil portuguesa. Em 1933 realizou o filme “A Canção de Lisboa, a primeira longa-metragem sonora inteiramente rodada em Portugal e matriz das chamadas “comédias à portuguesa”. Em paralelo, Cottinelli Telmo desenvolveu a sua carreira de arquitecto, como protagonista de um período de grandes transformações

Durante vinte e cinco anos (1923-1948), Cottinelli esteve ao serviço da Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses, conduzindo a modernização da arquitectura ferroviária entre nós. Fez projectos para estabelecimentos prisionais (1934-1939) e destacou-se como arquitecto-chefe da Exposição do Mundo Português, realizada em 1940 entre o Mosteiro dos Jerónimos e o rio Tejo. Aqui, Cottinelli coordenou uma equipa que reunia os melhores nomes da sua geração – arquitectos, pintores, escultores, decoradores e artistas gráficos. Pelo êxito alcançado e pelo talento demonstrado, Cottinelli foi encarregado, nos anos imediatos, de um conjunto de outras intervenções emblemáticas: os planos da Cidade Universitária de Coimbra (1941-1948), o Santuário de Fátima (1941-1948); o plano que ia transformar Belém numa área dedicada ao património, à cultura e ao lazer (1941-1945). A sede da Standard Eléctrica, a sua última obra construída (1944-1948), constitui um resumo das suas preocupações em arquitectura.

Em 1945 foi eleito presidente do Sindicato Nacional dos Arquitectos, assegurando a realização do primeiro Congresso desta classe profissional (1948). Esta foi a sua última intervenção pública, antes do dramático acidente que o vitimou em Setembro de 1948.