VEJA Entrevista com Demián Flores

VEJA Entrevista com Demián Flores

Preparando a exposição AL FINAL DEL PARAÍSO:

Demián cria uma ironia passado-presente, utopia-realidade, joga com o augúrio e o destino, com um paraíso que promete a bonança mas que acaba por se revelar uma realidade fatal atingida pela decomposição social, pela morte e pela destruição no presente.

Nas obras que aqui se dão a ver encontramos uma justaposição entre o “Livro dos Destinos” (calendário-ritual divinatório pré-hispânico), a utopia ocidental do paraíso terrestre descoberto na América e o destino celestial prometido pela evangelização sangrenta dos indígenas.

Nestes murais, Demián joga com uma dupla hibridação: cultural e temporal. Personagens ocidentais, homens e mulheres surgem a par de elementos pictóricos provenientes das culturas indígenas pré-colombianas, confrontando a presença de duas temporalidades, passado e presente, imagens de homens e mulheres contemporâneos unidos a símbolos pré-hispânicos, ao passado remoto, à origem das culturas indígenas do México.

Demián Flores apresenta ainda gravuras das séries Antropofagia e El Buen Selvaje, inspiradas nas leituras de Frei Bartolomé de las Casas (Espanha 1474-1566) e em Theodore de Bry (Bélgica 1528-1598). Entre o deslumbramento do encontro com os indígenas da América do Sul e a crueldade infligida pelo colonizador.