Nasceu em Lisboa, no ano de 1392, e morreu em Alfarrobeira, no ano de 1449, sendo filho de D. João I e da rainha Dona Filipa de Lencastre.
Tomou parte na conquista de Ceuta em 1415. Mais tarde, entre 1424/25 e 1428, efectuou viagens pela Europa, ficando conhecido como Príncipe das Sete Partidas.
O duque de Coimbra e senhor de Montemor e Aveiro foi um homem notavelmente instruído e culto no seu tempo. Dele ficou uma obra – Virtuosa Benfeitoria – e dezenas de cartas de grande valor para a compreensão da época.
O seu protagonismo afirmou-se a dois níveis: na política interna, quando assumiu a regência do Reino na menoridade de D. Afonso V, por imposição do povo e das cidades; na colonização das ilhas atlânticas e no processo dos Descobrimentos, onde em oposição à política de expansão nobiliárquica e guerreira defendeu a progressão pacífica da expansão marítima e do comércio com os povos autóctones. Deste modo, compreende-se a oposição à conquista de Tânger e, mais tarde, a defesa da entrega de Ceuta a troco da liberdade do Infante D. Fernando.
As posições assumidas por D. Pedro valeram-lhe a oposição e o ódio de sectores importantes da alta nobreza, liderados pelo meio-irmão D. Afonso, conde de Barcelos, a quem concedeu o título de duque de Bragança durante a sua regência. Já durante as disputas com a rainha Dona Leonor, que D. Duarte investiu no seu testamento no cargo de regente, se tinha oposto ao duque de Coimbra. Mas, assim que D. Afonso atingiu a idade de governar, moveu toda a sua influência junto do jovem monarca para afastar D. Pedro. As divergências cada vez mais graves entre o sobrinho e o tio conduziram ao desenlace fatal de Alfarrobeira.
Em 1443, concedeu ao Infante D. Henrique a posse das terras para lá do cabo Bojador. Assim, durante o seu governo e sob a direcção do Infante D. Henrique, as navegações chegaram até terras da Guiné. Por outro lado, impulsionou a colonização dos arquipélagos da Madeira e Açores, concedendo regalias aos seus habitantes.
Com a sua morte, em 1449, na batalha de Alfarrobeira, pode afirmar-se que acabou, durante anos, uma verdadeira política de expansão marítima atlântica, que só recomeçará com a subida ao trono de D. João II.
CAMPOS, Nuno / CARNEIRO, Isabel: O Padrão dos Descobrimentos – roteiro para visita de estudo, Coimbra, 1994