Não se conhece o local nem o ano em que nasceu, tendo morrido em Lisboa, entre 1579 e 1580.
Na sua adolescência, viveu em Coimbra, não se sabendo se aí terá frequentado o Colégio das Artes. Nessa cidade, terá adquirido conhecimentos humanistas, que marcaram a sua obra, particularmente Os Lusíadas.
Na década de 1540, veio para Lisboa.
Depois de uma série de peripécias, partiu degredado para o norte de África, onde perdeu em combate o olho direito, regressando, mais tarde, a Portugal.
Em 1553, e devido a uma briga com um moço do paço real, foi desterrado para o Oriente.
No Oriente, onde tomou parte em expedições, Luís de Camões começou a sobressair-se na escrita. A sua mordacidade quanto à actuação dos portugueses na Índia, n’Os Disparates da Índia, provocou o seu degredo para Macau.
Aqui, teria desempenhado um cargo administrativo.
Acabado o tempo da sua condenação, regressou à Índia. O navio em que viajava naufragou perto da costa do Cambodja, junto à foz do rio Mekong. É aqui que se dá o célebre episódio do salvamento d’Os Lusíadas, referido no Cântico X, estrofe 128.
Conseguiu chegar a Goa.
Em 1567, empreendia a viagem de regresso a Portugal, ainda que fique uns tempos em Moçambique, devido à falta de dinheiro para pagamento da continuação da viagem.
É certo encontrar-se, no ano de 1570, em Lisboa.
Em 1572, sai publicado o seu poema épico intitulado Os Lusíadas. Segundo opinião de Luís de Albuquerque, esta obra, ao narrar a viagem de Vasco da Gama, poderá ser inserida, embora com certas reticências, no que é conhecido por «literatura de viagens». Ainda segundo este historiador, Luís de Camões, para escrever Os Lusíadas, terá lido a Relação da viagem de Vasco da Gama, crê-se que escrita por Álvaro Velho, e a História do descobrimento e conquista da Índia pelos portugueses, de Fernão Lopes de Castanheda, assim como as Décadas de João de Barros, nomeadamente a parte em que narra as viagens marítimas ao longo da África Ocidental.
Nesse mesmo ano, foi-lhe concedida uma tença de 15 mil reais anuais, uma forma de pagamento da obra e dos serviços na Índia.
Para além d’Os Lusíadas, Luís de Camões escreveu as Líricas e três comédias – Anfitriões, Auto do Rei Seleuco e Filodemo.
Com o tempo e particularmente a partir dos finais do século XIX, tornou-se o símbolo da unidade e da independência nacionais.
CAMPOS, Nuno / CARNEIRO, Isabel: O Padrão dos Descobrimentos – roteiro para visita de estudo, Coimbra, 1994